2011 foi oficialmente declarado, pelo Conselho de Ministros da União Europeia, Ano Europeu das Actividades Voluntárias que Promovam uma Cidadania Activa. Até mesmo para quem olhe “de fora”, isto é, sem qualquer outro enquadramento senão o constante da Resolução do Conselho de Ministros n.º 62/2010, é identificável o objectivo de sublinhar a dimensão – diremos mesmo, a vocação – voluntária de toda a pessoa (toda a pessoa é vocacionada, ou seja, chamada, ao encontro com o outro, ao dom de si mesmo, à dádiva…)
O Seminário promovido pelo Conselho Nacional para a Promoção do Voluntariado sob o tema O Voluntariado nos Países do Mediterrâneo. Uma Identidade Cultural, decorrido na Fundação Calouste Gulbenkian nos dias 23 e 24 de Maio, permitiu confirmar, aprofundar e consolidar esta leitura, concedendo-lhe razões, fundamentação e destinos.
Fizeram-se presentes Portugal, Espanha, França, Itália, Grécia e Malta, através de Adriano Moreira, Acácio Catarino, Luís Miranda Pereira, Manuel Craveira Campos, Fernanda Farinha, Pedro Telhado Pereira, Ana Delicado e Rogério Roque Amaro (Portugal), Francisco J. Santolaya e Manuel Garcia Carretero (Espanha), Edith Archambault e Susana Szabo (França), Gregorio Arena e Renzo Razzano (Itália), Alex Afouxenidis e Angeliki Boura (Grécia) e ainda Andrew Azzopardi e Robert Farrujia (Malta).
No final da década inaugural do Século XXI, os Países do Mediterrâneo constituem a nova fronteira da pobreza, inequivocamente deslocada do Norte de África para os Países do Mediterrâneo.
É neste contexto – pobreza, decadência cultural, crise generalizada – que o Voluntariado emerge ou se lhe dá maior relevo, enquanto força socialmente responsável e economicamente solidária (o Voluntariado é responsável – dá as respostas necessárias à realidade presente e é solidário – opera in solidum, ou seja, conjuntamente).
Terminado o Seminário, queremos e cremos, sintetizar a leitura que dele fazemos por via de um conjunto de interpelações:
- o continente europeu é a casa de uma imensa força social, económica e politica cujo potencial está ainda por relevar. Trata-se do poder do Voluntariado, 100 milhões de europeus segundo os dados mais recentes;
- a força deste Voluntariado e a necessidade da sua plena activação em ordem a um futuro sustentado e sustentável devem suscitar a revisão do Tratado de Lisboa no referente à exclusão de referência às origens cristãs da Europa;
- com efeito, o multiculturalismo pacífico que dá razões à esperança da qual o Voluntariado é portador é uma herança cristã (da qual Paulo de Tarso constitui e mais paradigmático exemplo);
- sendo ainda de sublinhar que o conceito de Comunidade é incontornável para a consolidação de uma Voluntariado autêntico, ancorado na vida e nas realidades, capaz de alimentar a economia da dádiva (à qual subjaz a economia do dom, dos talentos). A necessidade incontornável da Comunidade reitera o apelo à origens cristãs da Europa: com efeito, a expressão do seu modelo está patente em Act 2, 42-47 (a fracção do pão, a oração, o ensino dos apóstolos e a comunhão fraterna);
- a promoção do Voluntariado constitui um decisivo apelo à criatividade: que mecanismos para o reconhecimento das competências que o seu exercício desenvolve em cada pessoa); como pode o trabalho voluntário constituir-se em real forma económica de troca?...
Por fim, uma derradeira interpelação em forma de esperança:
“Never doubt that a small group of thoughtful, committed citizens can change the world; indeed, it's the only thing that ever has” – Margaret Mead
… afinal, este “pequeno grupo” está estimado em 100 milhões de europeus: que esperamos nós?
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