1. O conceito de Revelação
Etimologia: do latim revelare, tirar o véu a…
Concepções: sendo hoje entendida na Igreja como o diálogo entre Deus e a humanidade, cujo ponto culminante é a pessoa de Jesus Cristo, nem sempre a Revelação foi compreendida como este diálogo interpessoal entre Deus e o ser humano. O Magistério da Igreja e a Teologia vêm clarificando cada vez mais o conceito de Revelação. Desde o século XIX o conceito de Revelação cristã evolui, graças a uma melhor compreensão da Sagrada Escritura. Passou-se de uma concepção em chave noética (comunicação de verdades) a uma concepção em chave interpessoal, de diálogo, na qual exerce papel determinante a categoria ‘palavra’. Afirma-se, com o mesmo sentido, que Deus se revela; quem se comunica e Aquele mesmo que fala. É o próprio Deus quem se comunica. O ser humano entra em contacto com um Deus pessoal. Não só conhece verdades acerca de Deus como, principalmente, conhece mesmo a Deus, entra em comunhão com Ele.
Revelação e inculturação hoje: o conteúdo da Revelação foi totalmente entregue por Cristo, e com Ele está concluída toda Revelação salvífica. Não obstante –adverte o Catecismo da IgrejaCatólica, 66 –ainda que a Revelação esteja acabada, não está ainda completamente explicitada. Os apóstolos não puderam explicitar todo o conteúdo da Revelação. Esta tarefa corresponde agora a Igreja até o fim da história. Decorre daí que o conteúdo da Revelação seja captado pelas pessoas de cada época conforme seu horizonte de compreensão e o esforço evangelizador da Igreja. Assim se mantém vivo o dinamismo da Revelação. Conhecer hoje a Revelação não consiste em simples fidelidade ao passado; é também, e sobretudo, abertura ao futuro, actualização da mensagem cristã.
2. As fases do processo evangelizador
Igreja e Evangelização: “A mim, o menor de todos os santos, foi dada a graça de anunciar aos gentios a insondável riqueza de Cristo e a todos iluminar sobre a realização do mistério escondido desde séculos em Deus, o criador de todas as coisas para que agora por meio da Igreja, seja dada a conhecer, aos Principados e às Autoridades no alto do Céu, a multiforme sabedoria de Deus, de acordo com o desígnio eterno que Ele realizou em Cristo Jesus Senhor nosso” Ef 3, 8-11
Comunicação eclesial da Revelação, mediante a evangelização: Ministério da Palavra e catequese são elementos fundamentais do processo evangelizador e da mediação da Igreja. Outro elemento constitutivo dessa mesma mediação é o Magistério eclesial ao qual cumpre oencargo de interpretar autenticamente a palavra de Deus escrita (Sagrada Escritura) ou contida na Tradição (Sagrada Tradição). Este magistério não está acima da palavra de Deus, mas sim ao seu serviço, ensinando apenas o que foi transmitido, enquanto, por mandato divino e com a assistência do Espírito Santo, a ouve piamente, a guarda religiosamente e a expõe fielmente, haurindo deste depósito único da fé tudo quanto propõe à fé como divinamente revelado.
As fases do processo evangelizador: podem sistematizar-se em três as fases / momentos / etapas essenciais do processo evangelizador;
1ª etapa respeita à Acção Missionária que é dirigida aos não crentes (baptizados ou não) e termina quando aqueles que por ela passam descobrem a salvação em Deus por Jesus Cristo e começam a orientar a sua vida e acções para Ele;
2ª etapa respeita à Acção Catequética e dirige-se àqueles que descobriram a Boa Nova através da Acção Missionária e optaram por Jesus Cristo. Este momento é de aprofundamento da fé e integração da vida da Comunidade Cristã: é o tempo da aprendizagem de toda a vida cristã.
3ª etapa é relativa à Acção Pastoral, a qual integra já a actividade dos baptizados na Comunidade, de forma activa, através de serviços concretos, em consonância com a vocação de cada um.
3. Palavra de Deus e Pastoral
«… o tesouro da Revelação confiado à Igreja cada vez mais tome conta dos corações dos homens. Assim como a vida da Igreja se desenvolve pela assídua participação no mistério eucarístico, assim é lícito esperar um novo impulso de vida de uma crescida veneração pela Palavra de Deus…»(DV 26), a fim de que “a palavra de Deus se difunda e resplandeça” (2 Tess. 3,1)
Considerando que a transmissão da Revelação ocorre através do processo de Evangelização;
Lembrando que este processo integra três fases / momentos / etapas essenciais;
Tendo presente que estas etapas procuram espelhar a missão eclesial que “recebe a missão de anunciar e instaurar o Reino de Cristo e de Deus em todos os povos e constitui o germe e o princípio deste Reino na terra” (LG 5);
A acção pastoral deve ser estruturada em ordem à inculturação da fé, tendo sempre presente que a arte de evangelizar é parte do processo de inculturação, consistindo em comunicar a mensagem evangélica conforme a cultura e a linguagem dos destinatários – sem nunca deixar de ter presente no seu horizonte a parábola do Semeador – Mc 4, 3-8)
4. Promover uma experiência de Deus: implicações pastorais
A partir do DGC 111-112, assinalamos duas implicações pastorais fundamentais em ordem à promoção de uma experiência de Deus hoje: integridadee autenticidade na transmissão da mensagem evangélica
Apresentar de maneira íntegra a mensagem evangélica, sem deixar passar em silêncio nenhum aspecto fundamental ou fazer qualquer espécie de selecção no depósito da fé.
Apresentar de maneira autêntica a mensagem evangélica, com toda a sua pureza, sem reduzir as suas exigências, por medo de uma rejeição, e sem impor pesados fardos que a mensagem não inclui, pois o jugo de Jesus é suave.
Como e a quem? – Pistas: a partir das “perguntas que – a todos – nos unem”, redescobrindo a actualidade das obras de misericórdia…
Tomemos por referência dois documentos, a "Carta aos que procuram Deus" da Conferência Episcopal Italiana - documento preparado pela Comissão Episcopal para a Doutrina da Fé, do Anúncio e da Catequese e o texto de Luciano Manicardi, «A caridade dá muito trabalho. Redescobrindo actualidade das obras de misericórdia», o qua faz parte da colecção Poéticas do Viver crente. Trata-se pois de promover uma experiência de Deus, a partir das experiências comuns da felicidade e sofrimento;; experiência da fragilidade; amor e fracassos; do desafio de aprender a amar (...) é que, promover hoje, uma experiência de Deus, passa por redescobrir as obras de misericórdia:
CORPORAIS
1. dar de comer a quem tem fome;
2. dar de beber a quem tem sede;
3. vestir os nus;
4. dar pousada aos peregrinos;
5. assistir os enfermos;
6. visitar os presos;
7. enterrar os mortos.
1. dar de comer a quem tem fome;
2. dar de beber a quem tem sede;
3. vestir os nus;
4. dar pousada aos peregrinos;
5. assistir os enfermos;
6. visitar os presos;
7. enterrar os mortos.
ESPIRITUAIS
1. Dar bons conselhos
2. Ensinar os ignorantes
3. Corrigir os que erram
4. Consolar os tristes
5. Perdoar as injúrias
6. Suportar com paciência as fraquezas do nosso próximo
7. Rezar a Deus por vivos e defuntos.
visto que é no hoje da história que podemos manifestar a diferença cristã mediante a prática da urgente caridade, como podemos ler do Prefácio da obra: 1. Dar bons conselhos
2. Ensinar os ignorantes
3. Corrigir os que erram
4. Consolar os tristes
5. Perdoar as injúrias
6. Suportar com paciência as fraquezas do nosso próximo
7. Rezar a Deus por vivos e defuntos.
“Hoje, porém, os sinais de barbárie e de perda daquilo que a caridade significa –justiça, solidariedade, compaixão – estão perante os nossos olhos e nós próprios somos os seus protagonistas (…). Nesta época de indiferença, somos chamados a redescobrir o essencial, a discernir aquilo que, pela fé, é irrenunciável.