... porque precisamos de um fio de afectos para tecer a nossa história, de histórias feita...
terça-feira, 31 de maio de 2011
segunda-feira, 30 de maio de 2011
Uma volta pelas páginas dos Evangelhos
Sinto-me cada vez mais encantado por Jesus de Nazaré, pela força com que nele se exprime a Vida, o melhor do Ser Humano e o agir de Deus.
E continua a acontecer eu ir dar uma volta pelas páginas dos evangelhos e encontrar-me com lugares de onde vejo as paisagens de sempre de uma maneira nova, e o próprio Jesus me aparece de repente de onde nunca me tinha dado conta que ele saísse ao meu encontro. Eu próprio me vejo novo!
Porque acredito que ele é o Vivente e que está Comigo como Alguém que se Comunica, quero percorrer todos os trilhos e veredas dos testemunhos evangélicos à procura deste seu jeito de se comunicar. É sempre isso que procuro… porque é isso que ele, re-suscitado pelo Pai, continua a ser/fazer connosco.
A ressurreição não é o anúncio de que ele deixou de ser dos nossos e estar connosco para passar a ser só do Pai e a estar com ele no “quentinho” do Espírito! A ressurreição é o anúncio de que ele já não é só de meia dúzia e está só com esses, mas é de todos e está com todos! E é de todos e para todos com o mesmo jeito que o vimos ser com os primeiros. Foi esse jeito de ser e comunicar-se que o Espírito Santo Suscitou em Jesus no meio daquele povo e daquelas pessoas, e Re-Suscitou como dom para todos os povos e todas as pessoas.
Os Apóstolos, no primeiro anúncio que faziam da sua ressurreição, diziam sempre que tinha sido “ESTE” Jesus que o Pai tinha glorificado no Seu Amor e exaltado na força do Seu Espírito. “ESTE” Jesus do qual depois falam através dos testemunhos evangélicos…
Andei há procura do rosto de Jesus enquanto Mestre, Líder de discípulos e Sábio à volta do qual até se reuniram pequenas multidões… Como é que Jesus ensinava? Rasgos da sua pedagogia no trato com os discípulos… E com as multidões? Qual era a sua postura com as multidões? Como lidava com os adversários do seu anúncio, que não só se metiam consigo como às vezes tentavam “pegar” nos seus discípulos? Quais as experiências que estão no coração da sua sabedoria e da sua liderança carismática? E qual a pedagogia que está presente na sua maneira de ensinar e no jeito de relacionar-se com as pessoas?
O meu “método” para este tipo de procuras é sempre o mesmo: escolho um evangelho e meto-me por ele adentro com os olhos apontados para o que procuro. A partir daí, deixo-me levar…
Pe. Rui Santiago
quinta-feira, 26 de maio de 2011
quarta-feira, 25 de maio de 2011
SEMINÁRIO O VOLUNTARIADO NOS PAÍSES DO MEDITERRÂNEO. UMA IDENTIDADE CULTURAL
2011 foi oficialmente declarado, pelo Conselho de Ministros da União Europeia, Ano Europeu das Actividades Voluntárias que Promovam uma Cidadania Activa. Até mesmo para quem olhe “de fora”, isto é, sem qualquer outro enquadramento senão o constante da Resolução do Conselho de Ministros n.º 62/2010, é identificável o objectivo de sublinhar a dimensão – diremos mesmo, a vocação – voluntária de toda a pessoa (toda a pessoa é vocacionada, ou seja, chamada, ao encontro com o outro, ao dom de si mesmo, à dádiva…)
O Seminário promovido pelo Conselho Nacional para a Promoção do Voluntariado sob o tema O Voluntariado nos Países do Mediterrâneo. Uma Identidade Cultural, decorrido na Fundação Calouste Gulbenkian nos dias 23 e 24 de Maio, permitiu confirmar, aprofundar e consolidar esta leitura, concedendo-lhe razões, fundamentação e destinos.
Fizeram-se presentes Portugal, Espanha, França, Itália, Grécia e Malta, através de Adriano Moreira, Acácio Catarino, Luís Miranda Pereira, Manuel Craveira Campos, Fernanda Farinha, Pedro Telhado Pereira, Ana Delicado e Rogério Roque Amaro (Portugal), Francisco J. Santolaya e Manuel Garcia Carretero (Espanha), Edith Archambault e Susana Szabo (França), Gregorio Arena e Renzo Razzano (Itália), Alex Afouxenidis e Angeliki Boura (Grécia) e ainda Andrew Azzopardi e Robert Farrujia (Malta).
No final da década inaugural do Século XXI, os Países do Mediterrâneo constituem a nova fronteira da pobreza, inequivocamente deslocada do Norte de África para os Países do Mediterrâneo.
É neste contexto – pobreza, decadência cultural, crise generalizada – que o Voluntariado emerge ou se lhe dá maior relevo, enquanto força socialmente responsável e economicamente solidária (o Voluntariado é responsável – dá as respostas necessárias à realidade presente e é solidário – opera in solidum, ou seja, conjuntamente).
Terminado o Seminário, queremos e cremos, sintetizar a leitura que dele fazemos por via de um conjunto de interpelações:
- o continente europeu é a casa de uma imensa força social, económica e politica cujo potencial está ainda por relevar. Trata-se do poder do Voluntariado, 100 milhões de europeus segundo os dados mais recentes;
- a força deste Voluntariado e a necessidade da sua plena activação em ordem a um futuro sustentado e sustentável devem suscitar a revisão do Tratado de Lisboa no referente à exclusão de referência às origens cristãs da Europa;
- com efeito, o multiculturalismo pacífico que dá razões à esperança da qual o Voluntariado é portador é uma herança cristã (da qual Paulo de Tarso constitui e mais paradigmático exemplo);
- sendo ainda de sublinhar que o conceito de Comunidade é incontornável para a consolidação de uma Voluntariado autêntico, ancorado na vida e nas realidades, capaz de alimentar a economia da dádiva (à qual subjaz a economia do dom, dos talentos). A necessidade incontornável da Comunidade reitera o apelo à origens cristãs da Europa: com efeito, a expressão do seu modelo está patente em Act 2, 42-47 (a fracção do pão, a oração, o ensino dos apóstolos e a comunhão fraterna);
- a promoção do Voluntariado constitui um decisivo apelo à criatividade: que mecanismos para o reconhecimento das competências que o seu exercício desenvolve em cada pessoa); como pode o trabalho voluntário constituir-se em real forma económica de troca?...
Por fim, uma derradeira interpelação em forma de esperança:
“Never doubt that a small group of thoughtful, committed citizens can change the world; indeed, it's the only thing that ever has” – Margaret Mead
… afinal, este “pequeno grupo” está estimado em 100 milhões de europeus: que esperamos nós?
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